Não podendo mudar tudo do mundo num único instante… poderemos dar pequenos passos rumo a um mundo melhor para todos
Sábado, 10 de Janeiro de 2009

Já desabafei com a minha amiga H.… Mais ainda não me sinto completamente aliviada! Antes de dormir ainda tenho de passar para o papel toda a revolta que trago dentro do coração, toda a ira que se me apodera do corpo sem eu poder fazer nada para o evitar.

 
Hoje o meu amigo A. foi à Adecco (fica aqui o nome para que os responsáveis por esta espelunca possam ler) pedir estágio. Sabem o que aconteceu? Ele não passou da soleira da porta para dentro e sabem porquê? Porque os vacões suissos que lá trabalham nem se deram ao trabalho de receber este recém-licenciado. E sabem porque o fizeram? Os vacões não se deram à trabalheira de ouvir o que um preto tinha para dizer.
 
Sim estamos a falar de racismo em pleno século XXI. De racismo numa sociedade dita pluralista, democrática e mais uns tantos ismos que recuso colocar aqui, por achar que se aplicam a outra realidade que não esta no Portugal onde vivo em pleno século XXI.
 
Quiseram recebê-lo? Perguntaram-lhe o que queria? Receberam-no com um sorriso? Puxaram uma cadeira para que se sentasse? Serviram-lhe um café? Perguntaram se queria que aumentassem/diminuíssem o ar condicionado? NÃO, não fizeram nada disto fecharam-lhe a porta no nariz. Não se dignaram a perguntar o que queria. Não olharam para ele. Não o ouviram. Não lhe prestaram atenção. Sabem porquê? Porque era preto.
 
Era preto e ponto final. Era preto e não precisava de ser ouvido. Era preto e não merecia ser ouvido? Não, era simplesmente preto. E os pretos são pretos e “nós” somos brancos e só precisamos das pretas para limparem o escritório e para limparem as cagadeiras onde demonstramos a nossa verdadeira natureza animalesca. E dos pretos? Ora precisamos deles para quê? Para servirem o café pela manhã ou para construírem o sonho tuga de ter uma casota que andarão a pagar durante 50 anos.
 
É só para isso que precisamos dos pretos? E dos cor-de-rosa? E dos amarelos? E dos às riscas? Precisamos deles para quê?
 
Pois digo-vos não precisamos uns dos outros para nada. A única coisa que precisamos de fazer é respeitar-nos mutuamente na nossa dignidade (artº 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos). Se não o fizermos estaremos a cometer um crime contra a Humanidade.
 
 
Agora uma palavrinha menos doce para todos aqueles que se divertem e intretêm a espezinhar os que são diferentes. Arranjem uma ocupação para fazer. Mantenham a cabeça ocupada… E já agora, mais importante que tudo continuem a olhar para o vosso umbigo e já agora, olhem e continuem a olhar para ele, mas com olhos de ver e vão ver que no fundo desse buraco que vos trouxe ao esterco onde vivem há uma sujidade bem maior do que aquela que vêem estampada na cara dos outros, nos actos dos outros, nas acções dos outros.
 
Outra palavrinha a todos aqueles que têm “a porta aberta” quando vos baterem à porta não julguem quem entra pelo que aparenta, julguem-na pelo que é. Olhem-na no fundo dos olhos, sei que é difícil a um cobarde fazer isso, mas façam-no e vão ver que os olhos do mal-vestido, do sem-abrigo, do ladrão, do aldrabão, do que nos bate à porta têm algo para dizer….
 
Uma palavra especial aos vacões suissos que não quiseram falar com o meu amigo A. ele é pura e simplesmente a pessoa com o melhor coração que já conheci até hoje, é a pessoa mais generosa que conheço, a pessoa mais humana que conheço. Por tudo aquilo que ele tinha para vos dizer e não disse espero que a próxima vez que baterem a uma porta desconhecida ela se vos feche bem no meio do nariz, para verem o que custa isso acontecer sem terem dito uma palavra.
 
Ao meu amigo A. És a melhor pessoa que conheci em toda a minha vida. Por isso quero que enfrentes sempre a vida com o teu sorrisão característico e de cabeça erguida. Não te deixes ir abaixo com todas as portas que se fecham, anima-te com todas aquelas que se abrirem e não te esqueças que nas vitórias e nas derrotas poderás sempre contar comigo.
 
P.S. desculpem  a linguagem, mas hoje não me apetece ser politicamente correcta.
publicado por M.M. às 02:11

bem sabes que estou aqui...e que subscrevo tudo...tenho pena, revolta, e nojo de respirar o mesmo ar que pessoas como essas respiram,...
quem ainda não percebeu que quando cagamos somos todos iguais? ninguém caga e fica a cheirar a rosas (como bem disse o meu irmão)...quando cagamos todos cheiramos a merda...e sabem porquê?porque somos animais e somos todos iguais...e aposto que muitos desses vacões foram ver o ensaio sobre a cegueira de saramago e nem entenderam o que ele transmite...os cegos conseguem finalmente ver...que não passamos de animais, todos na mesma condição...eu quero acreditar que essas pessoas que fecham portas, vão encontrar muitas fechadas ao longo da sua puta de vida inútil...(desculpem a linguagem...e desculpem as generalizações e o facto de chamar inútil à vida de quem quer que seja...nenhuma vida é inútil, bem sei,..., mas ninguém merece ser tratado assim, ainda e muito menos, uma pessoa com o coração do tamanho do mundo)
heidi a 10 de Janeiro de 2009 às 15:10

Não é fácil conter a indignação perante manifestações de um racismo tão primário como o descrito pela Bárbara.
Não adianta mergulharmos a cabeça na areia. O racismo é, ainda hoje, um verdadeiro flagelo que envenena as relações entre povos.
A Adecco é uma multinacional franco-suiça vocacionada para o tráfico de mão-de-obra. Os seus trabalhadores, neste país são, basicamente, portugueses. E estes, em tese, não têm cor.
O racismo é um crime contra a humanidade e como tal deve ser combatido. Mas não devemos perder de vista que a intolerância não tem cor, nacionalidade ou género.
A Bárbara já teve oportunidade de ler comentários indecorosos (nojentos, se preferir) a propósito dos massacres em Gaza? Hoje, neste país, teve lugar uma manifestação de solidariedade com os agressores israelitas! Fico por aqui e desejo que não mate, em si, o direito à indignação

Agry a 11 de Janeiro de 2009 às 01:09

Estou em choque......é uma vergonha mesmo!!!!! Essas pessoas que fizeram isso parecem saídas do tempo das cavernas só pode!!!!! Já agora não peças desculpa pela linguagem,......dada a situação até foi soft!!!!!
Digo mais é urgente denunciar estas situações......
sandra a 11 de Janeiro de 2009 às 20:32

Ainda bem que esqueceste o politicamente correcto porque por baixo de um politicamente correcto está sempre uma barriga anafada e algumas crostas de sujidade. O racismo contra outras etnias, contra outros modos de pensar, contra outros hábitos culturais, nãqo passa de medo e quem tem medo que compre um cão mas o que não pode é estar em lugares de decisão política ou empresarial.
'Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.'
Charles Chaplin
Paulo Quintela a 12 de Janeiro de 2009 às 12:00

Concordo absolutamente contigo manita. Nao tem qualquer tipo de sentido, num estado de direito, uma alarvidade do género. Enfim. No meio disto tudo, dormimos tranquilos porque nao nos pesa isso na consciencia. Ha disto um pouco por todo o lado. Provas concretas portanto que ha ainda muito a fazer no que concerne aos direitos humanos ou à sua negacao. Muito mesmo. Beijos mana, continua com o teu politicamente incorrecto. Eu sebscreverei sempre.
Cristovao a 13 de Janeiro de 2009 às 16:09



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