Não podendo mudar tudo do mundo num único instante… poderemos dar pequenos passos rumo a um mundo melhor para todos
Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

Vergonhosamente e vivendo eu a escassos 15km deste belíssimo exemplar da arquitectura do séc. XVIII... nunca o tinha visitado... nem sequer os jardins que foram mantidos abertos ao público, mesmo numa fase em que a degradação do imóvel parecia eminente! No entanto, actualmente a Casa da Ínsua foi convertida em Hotel de Charme! Ainda assim, é possivel visitá-la! E sem dúvida os jardins merecem uma espreitadela demorada, preferencialmente!

 

Deliciem-se com algumas imagens que poderão ver com os vossos olhos se quiserem perder-se pelas belezas do interior profundo:

 

 

 

 


Terça-feira, 07 de Julho de 2009

Uma coisa que sempre adorei fazer foi ouvir os relatos de histórias de vida dos mais velhos, ainda contadas, na primeira pessoa. Hoje, depois do almoço, mais meia horita para alimentar o vicío: cafeína acompanhada de mais uma dessas histórias, sempre contadas entre sorrisos e lágrimas, entre um tom monocórdico e um tom quase eufórico!

 

Hoje ouvi contar a história de um nascimento! Mas não um nascimento qualquer, foi o nascimento do Zé! A mãe dele gritava sozinha em casa, com as dores da maternidade. A tia Adelaide ouvia-a do lado de fora da porta e insistia com a tia formiga para que a ajudasse a acanar mais um filho. No entanto, a tia formiga embora sendo a parteira da rua não se prontificou a ajudar a senhora porque era uma badalhoquita e ela não lhe falava! A tia Adelaide, ainda jovem nunca tinha assistido a um parto, muito menos ajudado a realizá-lo.... Insistiu múltiplas vezes para que a tia formiga esquecesse as desavenças e ajudasse a jovem mãe, tentativas completamente infrutíferas, pois esta mostrava-se irredutível na "não ajuda". Voltou então para casa, não muito longe da casa onde a quase mãe, continuava a gritar e a pedir socorro! Manteve-se em casa até que a sua consciência não a deixou mais ficar parada e espectante sobre o desfecho de tamanha gritaria....

 

... Voltou a sair de casa descendo as escadas! Subiu as da tia formiga e mais uma vez pediu-lhe ajuda. Pedido negado. Subiu decidida as escadas da tia M. (futura mãe), com a promessa da tia formiga, com a promessa de lhe explicar do fundo das escada da badalhoca o que havia de fazer: "vai lá e se a porquita não tiver o lume aceso, acende-o e põe uma panela de água ao lume, arranja uma bacia e pergunta-lhe onde é que tem as tesouras". Assim fez, água ao lume, tesoura à mão e uma quase mãe contorcida de dores à sua frente deitada na cama. "Diz-lhe para se por no chão para parir mais depressa... que se agarre com as mãos à cama" (gritava de cá de fora a tia formiga). A recém empossada parteira assim fez, mas a preocupação dela era agora como é que a criança nasceria no chão? "Ripa um farrapito da cama e põeo debaixo dela pra parir a criança". Depois de mais uns longos minutos (ou horas! A tia Adelaide não se lembra bem) eis que nasce a criança.

Nova missão: lavá-la! Como fazer? Mais uma vez do fundo das escadas a tia formiga-parteira-professora lhe explica: "Pega-lhe numa perna e passa-lhe um farrapito de água tépida". A Tia Adelaide com dificuldade grita-lhe e avisa-a do receio de deixar cair a criança, pois "tinha o corpo langanhento" e ela não a conseguia segurar convenientemente. "Se cair não se perde nada, é menos um, ó rapariga!", alerta-a em tom de desculpabilização. Ainda assim, a tarefa é superada: criança limpa. "E agora o que faço com esta tripa que está agarrada à criança?" pergunta a tia Adelaide. "Ata-lhe uma gita com toda a força e deixa assim um bocado (faz o gesto de afastar os indicadores como forma de apontar o espaço a deixar), depois corta com as tesouras". "mas este bocado chega? Não vou aleijar a criança nem a mãe?" "Não, não dói nada nem à criança nem à mãe, mas se lhe doesse a ela nem tinha prigo". A gita a tia Adelaide não se lembra se veio das mãos da tia formiga que continuava no último degrau do vão de escadas, se veio da cozinha da recém mamã... "um daqueles fios de atar as chouriças", explicou-me ela!

 

Imagem aproximada do que se terá passado naquele dia. Retirada daqui.

 

Criança finalmente separada da mãe e embrulhada num trapóilo. Agora faltava libertar de dentro da mãe as últimas... Como fazer? Novamente a parteira-professora do vão de escadas explica à tia Adelaide que era necessário um chapéu. "Vê lá aí se o Zé [pai] não tem aí um chapéu pendurado!" Chapéu achado e na mão da tia Adelaide. "Atão e agora?" "Agora tens de levantar a porquita, pões o chapéu entre a tua barriga e a dela e apertazia contra ti para sairem as últimas." [Um chapéu? Perguntei eu...] Pelos visto era prática corrente, entre algumas parteiras daquele tempo, fazerem isto... havia a crença de que assim seriam expulsas do corpo da mãe, mais rapidamente, "as últimas". Então a tia Adelaide lá levantou do chão a mãe, colocou o chapéu entre as barrigas de ambas... para que pudesse expulsar as últimas rapidamente.

 

Por a tia formiga estar chateada com a tia M. e a tratar mal do vão de escadas é que a tia Adelaide participou numa das experiências marcantes da sua vida. Passados estes anos recorda as consequências dos seus actos: "se as coisas tivessem corrido mal como era?". Mas também recorda a frieza da tia formiga na não ajuda e no tratamento à recém-mamã. História singular, de um mundo e de um tempo também singulares!

 

 

 

 

Eis a história de um de muitos partos feitos em casa na aldeia! Umas histórias acabam bem, como esta! Hoje o Zé tem uns 30 anos e concerteza não se lembra deste dia, mas a sua parteira nunca há-de esquecer a história deste nascimento, foi a primeira e última vez que acanou uma criança. No final da década de 70 ainda se vivia assim na aldeia, só os mais ricos tinham acesso aos mais básicos cuidados de saúde. Os pobres continuavam a nascer em casa com a ajuda dos vizinhos e de uma mulher mais velha, mais experiente que acanava as crianças que nasciam das vísceras das mulheres.

 

P.S. reprodução o mais fidedigna possivel da que ouvi contar! Forçosamente, a linguagem utilizada é a da oralidade da província.

publicado por M.M. às 14:39

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Este post vem dar conta do que fazer para poupar... mas não é poupar uma coisa qualquer é poupar em transporte! A grande dor de cabeça do mais comum dos portugueses... Levar o carro ou ir de transportes? Andar a pé ou de táxi? Ir de metro ou de bus?

 

Como a maior parte das pessoas já sabe eu moro ali ao ladinho do sol posto ou será mais sol nascente?... E como todos bem sabem na maior parte do interior do país não há uma rede de transportes digna desse nome! Ou seja, se vierem para estes lado e não houver transporte público (para além do táxi!) não se admirem porque é mesmo assim... É o que dá os lobbies só existirem e funcionarem no litoral.... Por aqui há um autocarro que sai de manhã (aqui a manhã são 7h da manhã não 9 ou 10)... depois (se se encontrarem no interior mais desenvolvido), poderão regressar a casa à hora do almoço (mas não chegam a tempo de almoçar antes das 2h da tarde!)... ou então (des)esperam pelo autocarro que regressa no final do dia carregado de estudantada aos pulos (lá pelas 18/19h).... em relação à estudantada o mesmo acontece todas as manhãs....

 

 

[um pequeno parentesis! Os autocarros que servem o interior do país (pelo menos aquele que eu conheço) não andam a gás natural, nem são amigos do ambiente.... Aqui vêm parar os que já não pertencem à frota citadina de algumas grandes empresas ou os que já deixaram de servir como expressos que faziam Lisboa/Porto em 4h, com alguma sorte! Por isso, não será dificil de adivinhar o fumo que sai de dentro daqueles escapes, que mais dia menos dia acabarão ferrugentos numa sucata perto de si! Enquanto esse longínquo dia não chega continuam a arrastar-se pelas terras do interior profundo]

 

Só agora vem a parte que de facto vos queria dar conta! Ontem sete e picos da manhã ainda meia a dormir e com o sol a não permitir-me ver muitos palmos para além do para-brisas... Vejo uma senhora dos seus 70 anos no meio da estrada de uma aldeiola perdida na Beira, a esbracejar como se não houvesse amanhã. Páro o carro a pensar que a senhora estava a ter um ataque e precisava urgentemente de ir para as urgências do hospital....

 

Abri o vidro e perguntei: "Está tudo bem?" A senhora com o ar mais natural do mundo: "Sim está tudo bem menina! Olhe pro caso num bai pra Fornos?" (o mesmo Fornos onde pelos vistos foi parar o pastor escravizado, mas isso daria outro post). Eu em choque.... Então a senhora a esbracejar como louca e afinal ela queria uma boleia? "Mas olhe que o autocarro deve estar mesmo a chegar" Ela: "Eu sei, eu sei! É por isso mesmo!".... Sem pensar muito no assunto lá tirei a tralhada do banco da frente para que a senhora se pudesse acomodar, mas fiquei a pensar naquela atitude.... "Olhe se não se importa a menina podia deixar-me ali ao pé da caixa pra alevantar dinheiro?" Eu a pensar..... "Ó valha-me Deus que a senhora é exigente!"

 

Depois de uns tantos quilómetros chegámos ao destino! E o destino não era para mudar a minha vida! Era só mesmo para lá deixar a expedita senhora que para poupar 1€ me fez quase ter um ataque de coração quando a vejo no meio da estada a esbracejar!

 

 

publicado por M.M. às 19:37

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Não é esta a notícia, mas parece-me que poderemos ter num prazo mais ou menos longo uma notícia deste género a fazer manchete nos jornais regionais.... Isto porque agora se pode construir tais infra-estruturas em reserva agricola!

 

Imagem retirada daqui.

 

O novo diploma do Governo sobre os solos agrícolas inclui uma longa lista de 18 excepções. Assim, a reserva agrícola nacional poderá virar a belo prazer de investidores campos de golfe ou poderão mesmo vir a germinar ou a florescer em algumas regiões da reserva agrícola estabelecimentos comerciais e industriais, desde que tenham algum tipo de relação com a agricultura. Imagine-se um "freeport agricola" ou um "colombo asaloiado"! Ambos poderão vir a instalar-se em terrenos férteis.

 

A Quercus alerta e eu assino por baixo que esta nova lei ajusta-se ou "parece ajustar-se" na perfeição à apetência de construção das autarquias, únicas ouvidas em todo o processo de constituição do novo diploma.

 

Ora bem, já se falou na instalação de um aeroporto por estes lados, agora só nos faltava um campo de golfe... Esperemos que ambos os exemplos só sirvam para dar tristes exemplos do (des)desenvolvimento do interior do país, para além da contaminação dos solos completamente irreversível!


Quarta-feira, 18 de Março de 2009

«Um dia destes, distraído no zapping, vi José Rodrigues dos Santos anunciar, pesaroso, que "o interior de Portugal está despovoado é envelhecido" (...) Escuso descrever a peça da RTP, aliás similar a 300 anteriores. Limito-me a reproduzir a questão que permitiu à repórter encostar a tal menina à parede: "O que é que tu sabes sobre a cidade?" Ao contrário dos petizes criados em Rio Tinto ou de Odivelas, capazes de longas palestras sobre o advento da pólis grega, a pobrezita não sabia grande coisa. Como se comprovou num momento maior do jornalismo pátrio a pobrezita nem sequer tinha o magalhães! A peça fechou com a garota em contraluz, a correr numa colina a gritar "Liberdade!". Quase chorei, não graças à beleza da cena, mas graças aos meus impostos que a pagaram.

(...)

Contas feitas [nos retratos da vida campestre] trata-se sempre de um olhar pasmado, aparentemente seduzido pelo exotismo que descobre a 150Km do litoral urbano e no fundo agradecido pelas maravilhas que as cidades proporcionam.

(...)

O que vale notar é o facto de as televisões tentarem denunciar a desertificação do interior, de resto autêntica, e acabarem inadvertidamente a servi-la, quando exibem os seus residuais moradores enquanto fantasmas amáveis e excêntricos de um mundo morto. Em teoria, dado que esses particulares fantasmas possuem televisor, a repetida notícia do óbito poderia levá-los a trocar tudo pelas delícias da civilização, naturalmente consubstanciada no Magalhães. Na prática, nada indica que isso aconteça: ainda que suscitem menos respeito que os répteis das Galápagos, os rústicos isolados revelam um discernimento superior. No mínimo, têm cabeça suficiente para distinguir a desertificação do interior do deserto no interior de algumas cabeças, toldadas pelos sofisticadíssimos vapores de Odivelas e de Rio Tinto»

 

Mais um excelente artigo de opinião do sociólogo Alberto Gonçalves publicado pela revista Sábado nº254

publicado por M.M. às 11:00

Sábado, 07 de Fevereiro de 2009

"Qualquer pessoa pode ser vítima de violência doméstica, pelo que o fundamental é não silenciar a denúncia."

 

Aumento de 500% dos casos de violência doméstica no distrito da Guarda, e porque esta notícia fala das terras pelas quais me movimento, merece uma adenda.

 

Adenda:

 

A violência doméstica não aumentou 500%! O que aumentou foi o número de denúncias, talvez seja um efeito colateral da passagem a crime público, como estamos no interior e o ritmo das coisas por aqui é mais lento, é possivel que a Lei só tenha chegado aqui no ano passado.

 

Acho que a fonte do aumento se deve mais ao facto de uma maior consciencilazaçao das pessoas que por aqui moram para o crime de violência doméstica do que propriamente a um aumento real da violência. Ainda que menos dinheira possa ser indicativo de mais pancada (como alguém me dizia o outro dia).

 

O novo núcleo de atendimento da Guarda funcionará no Centro de Formação, Assistência e Desenvolvimento (CFAD), Muito se tem falado dos protocolos estabelecidos e a estabelecer entre as diferentes entidades, falta uma análise mais aprofundada, que vá à raiz da questão em vez de se ficar a admirar a rama.

 

Imagem retirada daqui.

 

Há violência doméstica (sobretudo contra as mulheres), mas mais que actuar a jusante, é preferivel trabalhar antes do muro que separa as águas. Mais do que atender as vítimas é de extrema importância prevenir a violência doméstica e isso poderia muito bem começar nas escolas, nas universidade e mesmo na família, que é para todos os seres humanos (ou deveria ser) o ponto de referência.

 

Deixo aqui um repto às autoridades. O mais importante não é saber se o copo está meio cheio ou meio vazio ou meio meio. O mais importante de tudo o que envolve a violência doméstica é saber o que está dentro do copo, perceber as causas da agressão, perceber os motivos, entrar dentro da cabeça dos agressores, saber porque agridem, quando, como e porque o fazem.

 

Quanto a cada um de nós, cabe-nos denunciar este crime público e enquanto seres humanos deveremos ser capazes de ser Humanos, respeitado a Declaração Universal dos Direitos Humanos.



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