Não podendo mudar tudo do mundo num único instante… poderemos dar pequenos passos rumo a um mundo melhor para todos
Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Este poema que abaixo se transcreve é dedicado a todos aqueles que, como eu, gostam de um bom livro! Seja científico, seja um bom romance ou apenas palavras escritas com apenas o sentido que o próprio autor lhes dá. Aqui fica...

 

Já não faço amor

Só amo

Só o amor une grande

A independência

À liberdade

 

Não ler é como ter

Vergonha de perguntar:

- Amas-me?

 

Há uma razão do sémen

Para os poetas se repetirem

Os homens não os ouvirem

 

Não ler é como ir ver o mar

E não olhar para o mar.

 

Poema publicado por Joaquim Castro Caldas em Só cá vim ver o sol, Edições Quasi.

 

Boas leituras! Se não para a vida pelo menos para o fim-de-semana.

publicado por M.M. às 21:30
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Já ninguém parte do Tejo

Para dobrar bojadores

Agora olho e só vejo

Contentores contentores.

 

E do Martinho Pessoa

Já não veria o vapor

Veria a sua Lisboa

Fechada num contentor.

 

Por mais que busques defronte

Nem ilhas, praias ou flores

Não há mar nem horizonte

Só contentores contentores.

 

Lisboa não tem paisagem

Já não há navegadores

Nem sol, nem sul nem viagem

Só contentores contentores.

 

Entre o passado e o futuro

Em Lisboa de mil cores

O sonho bate num muro

De contentores contentores.

 

Por isso vamos cantar

O fado das nossas dores

E com ele derrubar

Contentores contentores.

 

Manuel Alegre

publicado por M.M. às 00:08

Domingo, 25 de Janeiro de 2009

Era uma vez

Uma fábula famosa,

Alimentícia

E moralizadora,

Que, em verso e prosa,

Toda a gente

Inteligente

Prudente

E sabedora

Repetia

Aos filhos,

Aos netos

E aos bisnetos.

À base duns insectos

De que não vale a pena fixar o nome,

A fábula garantia

Que quem cantava

Morria

De fome.

 

E, realmente…

Simplesmente,

Enquanto a fábula contava,

Um demónio secreto segredava

Ao ouvido secreto

De cada criatura

Que quem não cantava

Morria de fartura.

 

 

Miguel Torga

Fonte.

publicado por M.M. às 20:13
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Ser livre é querer ir e ter um rumo

E ir sem medo,
Mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
Transformar o fumo
Do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
Só ver portas fechadas e pessoas hostis
E arrancar teimosamente do caminho
Sonhos de sol
Com fúrias de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
E, mesmo assim,
Só de pensar gritar
Gritar
E só de pensar ir
Ir e chegar ao fim
 
Armindo Rodrigues
 
[li há uns dias este poema num blog alheio! Desculpem-me a falta da fonte.]
publicado por M.M. às 21:56
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Domingo, 28 de Setembro de 2008

A aldeia deserta

Nas ruas a leve brisa
As cores outonais
O cair das folhas
Que se precipitam
 
O sol morno
Aquece e arrefece
As tardes desfazem-se
Em noites frias
 
Saio do povoado
Os tons dourados
Os tons amarelados
Os tons outonais
Enchem os caminhos
 
As gentes
Ficam e repousam
Repousam e descansam
Descansam e adormecem
No silêncio.
 
Vilarinho das Furnas, 25 de Setembro 2008
publicado por M.M. às 22:48
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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


Eugénio de Andrade

publicado por M.M. às 19:54
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Sábado, 28 de Junho de 2008

Dorme no dormitório da cidade

Acorda ainda de madrugada

A vida lá fora já fervilha...

 

Deixa-se ficar mais um pouco!

Atrasa-se invariavelmente.

 

Fecha atrás de si a porta de casa

Deixa a quietude para trás.

 

Lá fora o sol brilha

Continua com dificuldades para acordar

Uma buzina acorda-a

 

O 228 já lá está

Não a deixa ficar para trás!

 

Passou 1 hora

Entre solavantos

Partidas e chegadas.

 

"Bom dia"

"Café por favor!"

"Obrigada"

 

Troca as primeiras palavras do dia

Atravessou a cidade

Milhares por si passaram

 

8 horas de trabalho

A normal rotina

Alguns contratempos

Tudo em ordem

 

Regressa a casa

Banho

Paparoca

 

"Boa noite"

"Vou dormir"

Debita

Para o seu eu imaginário.

publicado por M.M. às 23:14


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