Não podendo mudar tudo do mundo num único instante… poderemos dar pequenos passos rumo a um mundo melhor para todos
Quarta-feira, 04 de Março de 2009

«Tudo começou por uma noite amorosa. Uma mulher conheceu um homem e nessa noite homem e mulher dormiram juntos.

Os dois falaram como dois seres humanos falam entre si. Ela relatou com entusiasmo o que fazia num laboratório científico, ele, por seu turno, contou que estava desempregado.

(...)

Na manhã seguinte, quando ela regressou ao local de trabalho, tinha uma carta na secretária do seu laboratório: estava despedida.

Foi, então, essa mulher que, digamos assim, mesmo sem disso ter consciência, começou com a nova peste.

(...)

Em pouco tempo espalhou-se uma crença firme: quem dormisse com um desempregado corria o risco de perder o emprego. Não havia uma explicação lógica para isto, mas o certo é que se começou a recear os parceiros sexuais desempregados tal como antes se receava os parceiros sexuais com doenças venéreas.

Antes de qualquer relaçõa sexual tornou-se hábito perguntar: tens emprego? Muitas pessoas passaram mesmo a exigir um comprovativo do pagamento do último mês passado pela entidade patronal.

(...)

Por decisão política, e para que a peste não alastrasse mais, os desempregados foram obrigados a circular na rua e em todos os espaços públicos com um enorme D na parte da frente da roupa.

(...)

Havia milhões de desempregados (...) uma nova medida obrigou os desempregados a ficarem em casa, impedindo-os de sair para o espaço público e, meses mais tarde, uma nova e brutal medida: os desempregados deveriam sair do país.

(...)

O problema é que todas as fronteiras estavam fechadas. Em todos os países a peste fizera o seu caminho e por todo o lado as medidas haviam sido idênticas. Como ninguém abria as fronteiras, a opção foi colocar os desempregados em enormes barcos e enviá-los para o centro do mar.

(...)

Nos meses seguintes não foi registado nenhum novo desempregado, o que mostrou o acerto das decisões.

Chegou, então,mais tarde, a hora de se anunciar que a nova peste estava definitivamente irradicada. As ruas estavam agora desertas, os espaços públicos vazios, os autocarros com um ou dois passageiros circulavam à vontade no meio do tráfego inexistente. As ruas - onde antes mal se podia caminhar - eram agora espaço onde os pássaros faziam ninhos e outros animais lutavam entre si.

De qualquer maneira, visto do alto de um satélite, o país e os diversos continentes, mesmo que vazios, ainda eram belos. E que pode importar mais a um planeta do que amnter a beleza, quando visto de cima.»

 

Do melhor que tenho lido sobre a peste que assola a sociedade actual, mas no fundo o interesse geral continua nas estrelas, ou melhor nos satélites! Se eles continuarem a retratar com relativa beleza o nosso mundinho, não há problema! O desemprego é, afinal, tratado como uma pequena nuance!

 

Este artigo é da edição nº834 da Visão. Com muita pena não está na visão online, por isso se o quiserem ler na íntegra vão ter de procurar numa biblioteca ou espaço público perto de si!

publicado por M.M. às 15:00

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