Não podendo mudar tudo do mundo num único instante… poderemos dar pequenos passos rumo a um mundo melhor para todos
Segunda-feira, 09 de Novembro de 2009

É hoje que se comemoraram 20 anos da queda do muro de Berlim, considerado por todos, do lado da direita e da esquerda, uma energia de libertação que trouxe aos alemães da ex-RDA a oportunidade de descobrir o que estava para lá da fronteira mais longuinqua de todas, aquela que parecia trazer-lhes toda a liberdade que sempre ansiaram, durante os 28 anos da existência do muro. Contudo, hoje continua a haver um choque geracional na Alemanha reunificada! O que separa o norte do sul é o desenvolvimento industrial, o que separa o leste do oeste é uma questão cultural. Pais saudosistas da economia planificada e filhos completamente inbuídos da cultura ocidental, para quem o muro não passa de uma barreira psicológica dos seus pais!

 

Este era e continua a ser apelidado de muro da vergonha! Um muro que separava dois blocos estanques - o ocidental capitalista e o oriental comunista. Um muro que separava a "mão invisivel" da economia, da economia planificada. Que separa a sociedade do prazer, da sociedade do dever. Muito se fala da correcção dos erros do passado, como foi a construção deste muro ou dos genocídios que aconteceram no século XX, não só o dos judeus na Segunda Guerra Mundial, mas também já nos anos 90 o genocídio de quase 1milhão de tutsis no Ruanda ou, dentro da Europa, o triste exemplo da ex-Jugoslávia. Ou já no século XXI o genocídio que continua a acontecer no Darfur.

 

Erros históricos, sem dúvida! Contudo, erros cometidos pelo Homem contra o Homem. Erros que levaram à descrença nas instituições internacionais e, até mesmo, na própria Declaração Universal dos Direitos do Homem.

 

Construção do muro no Rio de Janeiro (27.03.2009)

Construção do muro entre EUA e o México (07.02.2009)

 

Muro que separa israelitas de palestinianos (10.07.2009)

 

Hoje, no século XXI, continuam a ser contruidos muros que visam proteger o Homem do Homem. Muros da vergonha que pretendem separar o bem do mal, como acontece na cidade de Jerusalém. Muros da vergonha que pretendem separar o rico do pobre na cidade do Rio de Janeiro. Muros da vergonha que pretendem separar o primeiro mundo do terceiro, como acontece na gigantesca barreira que separa o México dos EUA. Estes são os muros reais que nos deviam envergonhar a todos, mas que em dias como o de hoje parecem ser esquecidos perante as comemorações dessa barreira que separava duas ideologias! Hoje as barreiras que se controem já não assentam em ideologias, acentam em preconceitos o que me parece bem mais grave.

 

Erros históricos, também estes. Talvez daqui a 20 ou daqui a 50 anos também nos estejemos a desculpar por esses mesmos erros que inspirados no passado nos transportam para um futuro menos humano, menos solidário.


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