Não podendo mudar tudo do mundo num único instante… poderemos dar pequenos passos rumo a um mundo melhor para todos
Sábado, 03 de Janeiro de 2009

Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama
 

avnery-arafat.jpg As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:

1. No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do primeiro dia.

2. As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e israelo-pan-árabe em 2009.

3. Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço.

4. Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos “ilegais” e os outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar essa simples verdade.

5. Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz – impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino.

6. A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns 250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio significativo nos ministérios de governo e no exército.

7. Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer chance de sucesso.

8. Na ausência de tudo isso, todas as “negociações de paz” são uma farsa. O governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de “Annapolis” são tão vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por interesses politicos próprios.

9. A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.

10. É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias desacreditadas e iniciativas falidas – como a “visão” de Bush, o “mapa do caminho”, Anápolis e coisas do tipo – devem ser lançadas à lata de lixo da história.

11. Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).

12. Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do interesse nacional americano, de remover o veneno das relações muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.

13. Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. 

14. A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.

15. O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.

16. Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento, mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar a base psicológica para a paz. 

Fonte.

 


Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi proclamada e adoptada, pela Assembleia Geral da ONU, no dia 10 de Dezembro de 1948. Dizendo «nunca mais» aos horrores da Segunda Guerra Mundial, era, pela primeira vez, assinado um documento que estabelecia os direitos humanos universais para todos os povos, tendo em conta cada indivíduo em particular.

 

Tenho a particular impressão que o que foi dito, redigido, lido e aprovado nesse dia nas Assembleia das nações Unidas foi mais um momento histórico para a comunidade internacional. mas não para a comunidade no verdadeiro sentido da palavra, mas unica e simplesmente para a comunidade formada pelos líderes políticos mundiais.

 

Qual será a dificuldade de implementar a Declaração Universal dos Direitos Humanos?

Não se tratará porventura de uma desumanidade o que se passa nos 4 cantos do mundo?

Não se tratará de uma desumanidade ver a miséria à nossa frente e que nada fazemos para lhe aliviar um pouco dessa dor?

 

Do que se trata afinal quando é celebrado o 60º aniversário da Declaração? Continuaremos a dizer "nunca mais"? Ou foram apenas refinadas as formas de escravizar, humilhar, desnaturalizar a existência humana?

 

O que nos falta neste mundo globalizado, completamente anómico é abrir a mão e dá-la ao mendigo que se cruza connosco na rua. É abrir os braços e abraçar aquela criança esfarrapada que nos olha com uns olhões lindos. É, no fundo, abrir os nossos corações e desligarmos o botão da indiferença, da insegurança, do medo.

 

É EXIGIR da classe política mundial que cumpra o que disse depois dos horríveis acontecimentos da II Guerra Mundial.

É EXIGIR que cumpram a sua palavra.

É EXIGIR-LHES que desenterrem a cabeça da areia onde a mergulharam desde então. 

 

 


Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.
 
Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
 
Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.
 
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.


 

 

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
 
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
 
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
 
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
 
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
 
5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
 
6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.
 
Inconclusivas conclusões.
 
Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
 
Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
 
A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
 
Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.
 
No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.
 
Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.
 
Mia Couto, in Jornal SAVANA – 14 de Novembro de 2008

publicado por M.M. às 20:14

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

 

Fotografia: Lírio da Fonseca/Reuters

 

Há 17 anos, em Dili, quando as sirenes tocaram e o terror se abateu sobre a procissão de gente que se reunia no cemitério de Santa Cruz, o mundo acordou para a repressão indonésia em Timor Leste. Números oficiais: 271 mortos. Mas os timorenses dizem que "faltam muitos mortos", pessoas que nunca apareceram. Para as lembrar, os seus familiares sairam hoje com o que lhes resta da memória dos seus familiares, a imagem impressa no papel fotográfico.

 

Fonte.

publicado por M.M. às 20:32

Quarta-feira, 05 de Novembro de 2008

Depois dos intermináveis anos de governação Bush! Chegou a hora de dizer bye bye.

 

Chegou a hora de um novo (re)começo. A vitória de Obama simboliza uma nova oportunidade para que os EUA se possam juntar à comunidade internacional e caminhar par a par para a construção de um mundo melhor, mais justo e mais democrático: as mudanças climáticas, os Direitos Humanos e a paz são desafios que necessitam de uma resposta à altura da gravidade com que hoje encontramos o mundo.

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Na noite passada não se dormiu do lado de cá do Atlântico à espera dos resultados das presidenciais americanas, as mais concorridas de sempre. Os EUA estão agora entregues às mãos de um homem que tem por obrigação MUDAR. Mudar a política americana externa - onde o Iraque se apresenta como o caso mais bicudo de resolver e mudar a política interna (re)construindo um país onde as igualdades são cada vez mais desigulades.

 

Nunca antes na história tinha sido eleito um negro para a Casa Branca. Nós, brancos, nunca iremos perceber a segregação do povo negro. Podemos sim juntarmo-nos a eles e, de mãos dadas, dar os parabéns a Obama pela esmagadora vitória da igualdade sobre o conservadorismo.

 

O mundo conta com o cumprimento das promessas da sua campanha, que defendem um tratado forte contra as mudanças climáticas, o fim da tortura e o encerramento de Guantanamo, o estabelecimento de um plano cuidadoso para a retirada das tropas do Iraque e a duplicação dos recursos destinados ao combate à pobreza global.

 

«Nunca antes na história um presidente norte-americano esteve tão aberto para ouvir.»

 

Yes we can change the world to transform our weaknesses into chances of I dialogue multilateral mister president.


Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Existem actualmente mais escravos no mundo do que em qualquer altura da nossa História. Um caso recente na África Ocidental poderá dar a milhares algum tipo de esperança. Um tribunal na Nigéria considerou o governo culpado por não ter protegido os direitos de Hadijatou Mani, uma mulher de 24 anos que foi vendida aos 12 anos.

 

 

Hadijatou Mani foi libertada em 2005 e com a ajuda do Anti-Slavery International, levou o caso aos tribunais. O tribunal condenou o governo a pagar cerca de 20 mil dólares a esta mulher. A Nigéria aboliu a escravatura em 1960 mas a prática continua naquele país. Estima-se que que cerca de 43 mil pessoas continuem escravizadas na África Ocidental. O governo da Nigéria continua a afirmar que tudo faz para acabar com esta prática mas esta foi a primeira vez que um tribunal o condenou por nada ter feito.

 

 

Fonte.

publicado por M.M. às 21:09

Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

A caminho de completar o segundo mês de ataques ininterruptos, a purga dos cristãos na Índia, em especial no Estado de Orissa, assume agora novos contornos.

 

 

 

Com mais de 50 mil cristãos refugiados, fora das suas casas, grupos de fundamentalistas hindus estão a tentar apagar todos os vestígios da presença cristã nas aldeias.

 

 

Casas e igrejas são queimadas e arrasadas. Linhas delimitadoras de terrenos privados são retiradas e os mesmos ocupados e divididos entre os agressores.

 

Os poucos cristãos que permaneceram nas suas terras são obrigados a converter-se ao hinduísmo, sob ameaça de morte. Os que recusam são martirizados, os que sucumbem são obrigados a profanar bíblias e outros artigos sagrados, a agredir outros cristãos e, em alguns casos, a beber urina de vaca, considerada “purificadora” por alguns hindus.

 

 

Enquanto isto, os relatos dos campos de refugiados são dramáticos. O Padre Ajay Singh, um dos poucos que conseguiram ter acesso a um dos campos, descreve da seguinte maneira a situação: “Os cristãos estão a ser tratados como animais. Recebem um cobertor por família, não existe qualquer sistema sanitário ou de higiene. Mais trágico é que nem sequer lhes é permitido rezar, estão constantemente a ser observados pelas forças de segurança.

 

 

 

Campo de refugiados em OrissaAs mulheres estão particularmente vulneráveis, não recebem qualquer tipo de acompanhamento, e por isso a sua saúde emocional está a deteriorar-se rapidamente”, diz o sacerdote.

 

 

As atrocidades cometidas contra os cristãos têm causado mais de 60 mortos. Num episódio, um casal terá sido intimado a rejeitar a sua religião cristã. O marido aceitou mas a mulher, grávida de sete meses, recusou, tendo sido por isso esquartejada pelos hindus. Há vários relatos de pessoas, incluindo crianças, regadas com gasolina e incendiadas.

 

 

Fonte: Agência Ecclesia

 

P.S. Os que acreditam em Deus podem rezar por estes irmãos nossos que estão a ser perseguidos e mortos na Índia por fundamentalistas. Os que não acreditam em Deus podem pelo menos reflectir sobre o assunto e falar dele para que todos tenham conhecimento do que se passa na Índia.


Segunda-feira, 06 de Outubro de 2008

“O que é vivido pelos cidadãos não pode ser iludido pelos agentes políticos. Quando a realidade se impõe como uma evidência, não há forma de a contornar”, defendeu Cavaco Silva no seu discurso comemorativo dos 98 anos da Res Publica em Portugal.

 

Cavaco Silva sublinhou, ainda, a “confiança que tem no comum dos portugueses”, deixando o apelo para que se mobilizem e não baixem os braços perante as dificuldades. “Somos capazes de vencer quando os desafios são maiores. Não se deixam vencer pelo pessimismo ou pelo desânimo”, apelou.

 

 

O problema é que o comum dos portugueses esforça-se, aperta o cinto, paga as suas contas! No entanto, vê o não comum dos portugueses a endividar-se e não pagar, elege o melhor candidato vendo-o cair pouco depois nas malhas da corrupção e do caciquismo, assiste da sua poltrona à entrada de políticos corruptos pela porta dianteira das grandes empresas públicas e privadas.

 

 

Não foi concerteza esta a Res Publica idealizada há 98 anos atrás. 

 

Fontes: notícia, cartoon.


Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Confesso que as minhas expectativas em relação ao rol de livros que enfiei na mochila paa estes dias de descanso me surpreenderam pela positiva...

Pessoa é sempre pessoa! Interessante ler Álvaro de Campos e num ápice passar para Alberto Caeiro! O contraste faz de Pessoa um dos meus escritores preferidos... A literatura portuguesa sem ele ficaria, com certeza, bem mais pobre.

Agustina Bessa-Luís foi uma feliz descoberta.

Eugénio de Andrade idem.

No entanto, supreendente mesmo foi ter pegado num livro que se passeava pelas estantes lá de casa há já algum tempo! Na altura comprei-o por impulso, depois li algumas críticas e pensei é melhor deixá-lo para ler numa altura onde os "animos" estejam mais calmos... Foi agora essa altura!

Portugal Hoje, o medo de existir. O título continua a parecer-me sujestivo. A leitura do livro (pelo menos até agora) faz-me lembrar um pouco a análise foulcoliana sobre a sociedade actual, juntando a isso 1984, onde o big eye controla tudo... Bom, mas adiante! Nunca tinha lido nada deste senhor, apesar da "análise" do livro parecer em algumas alturas um pouco descontextualizada ou romanciada ou até mesmo forçada... Acho que não devemos deixar de ler o livro com um sorrizinho nos lábios :D

"O riso obtido, explorando a esperteza estúpida dos outros, revela um traço típico do burgesso português: é que, para ele, há sempre um burgesso mais burgesso do que ele. "

Esta vai-me ficar!


Quinta-feira, 07 de Agosto de 2008

 

Já noutras ocasiões aqui citei Marx. Para ele - de uma forma simplista - só na cidade os homens eram suficientemente livres (não sujeitos a feudos) para poderem vender a sua força de trabalho à burguesia, igualmente livre e que por isso seria livre para comprar essa força de trabalho. 

 

Nem sei se devo concordar! Ou aliás deixar de concordar, porque, no fundo a actualidade destas palavras é notória.

 

No entanto, muitos "mas" me têm ocupado a cabeça nos últimos tempos.

 

A cidade é um poço de liberdade. mas com ela tornou-se um fosso de escravidão.

 

É na cidade que o homem vende a sua força de trabalho.

É na cidade que o homem é escravizado pelo homem.

É na cidade que o homem é ostracizado pelo homem.

É na cidade que o homem é abandonado pelo homem.

É na cidade que o homem é esmagado pelo homem.

 

É na cidade livre que o homem acorda quando o sol ainda nem tem raíado.

É na cidade livre que vemos diariamente o homem abandonado ao deus dará à porta de Santa Apolónia.

É na cidade livre que vemos o homem abandonado no jardim da estrela a contar as horas de solidão.

É na cidade livre que os pequenos homens são largados ainda de madrugada.

É na cidade livre que o homem regressa depois do sol posto.

 

É esta a cidade livre imaginada por Marx?

É esta a cidade livre que construí ao lê-lo?

 

Só sei que não é esta a cidade livre com a qual me cruzo todos os dias. Só sei que é nela que vejo milhares de formiguinhas trabalhadoras venderem a sua força de trabalho a troco de uns poucos tostões que mal vão chegando para matar a fome à prole. Só sei que é nessa mesma cidade livre que vejo os donos dessas formiguinhas cantarem como cigarras montados nas suas costas.

 

Onde está a liberdade das nossas cidades? Quanto mais confronto os dois conceitos - "cidade" e "liberdade" - menos os acho compatíveis.

 

A cidade faz os homens livres até ao momento em que eles não pensam nela. Quando o começam a fazer deixam de crer nesse chavão.

publicado por M.M. às 20:15


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